quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CONFISSOES DE UMA EX ESPOSA DE PASTOR

Ela tinha 20 e ele 27 anos.
Ambos não sabiam que o outro existia.
Ela, nova convertida e cheia de alegria por ter sido encontrada pelo Caminho, pela Verdade e pela Vida.
Ele, não lembro exatamente agora, onde estava.
Ela veio a conhecer o mundo evangélico depois da sua compreensão da Verdade, que foi acontecendo enquanto caminhava pela vida, à sós com Deus. Deus a encontrou fora de qualquer religião, isso para ela é como um troféu. Tudo simples, apenas ela, o Evangelho e o Espírito.
Dois anos se passaram.
Ambos encontraram-se, então, numa pequena congregação que logo depois se tornou “igreja”, pois passou a preencher os requisitos requeridos no Manual Legislativo da denominação da qual havia passado a ser membro.
Ele, pastor denominacional e de família protestante “da mais alta linhagem teológica”, de 3º ou 4º geração, enfim, um invejável pedigree.
Ela, uma “trabalhadora de última hora”, ex-católica não praticante, sem família no ambiente religioso evangélico.
Ele, pastor formado em excelentes instituições, o totem da sua família.
Ela, a uma-boca-a-mais-na-mesa de uma família toda arrebentada, pais separados, mas, que na busca sedenta por Deus, com Ele encontrou-se aos 20 anos.
Ele e ela encontraram-se.
Em pouco tempo, casaram-se.
Ela...
Ela ainda acredita que apesar dos enganos da Religião, casou por amor.
Ele...
Não sei ao certo. Talvez tenha casado com ela pela cruel pressão psicológica que uma comunidade religiosa exerce sobre um pastor com quase 30 anos, ainda solteiro.
Ela tornou-se, então, uma nova convertida chamada por todos de Esposa-de-Pastor.
Esse foi seu único nome por muito tempo.
Ela, bem...
Ela nunca conseguiu deixar-se formatar pelo modelo de esposa-de-pastor.
Assim...
A comunidade religiosa não a aceitou. Começou a oprimi-la desde o início, houve uma rejeição coletiva da pessoa dela por ela não enquadrar-se nos padrões do que deve ser uma esposa-de-pastor segundo os moldes desse mundo evangélico doente.
Ela não conseguia entender simplesmente nada do que acontecia, as hostilidades gratuitas, os gritos agressivos em público contra ela, o fato de ser pauta na reunião do conselho da igreja por não conseguir estar presente sempre, as humilhações de senhoras em reuniões de senhoras.
Angústias profundas e ela adoeceu seriamente. Deprimiu-se com o fardo pesado que as pessoas da religião colocaram sobre seus ombros. Os domingos, que antes eram alegres, tornaram-se sufocantes, cheios de ansiedade, febres e outras somatizações.
Ela perdeu a alegria e ele também.
Ela...
Quanto mais deprimida ficava, mais humilhada era, pois correspondia cada vez menos às expectativas dos membros da “igreja” que tem a fixação de que mulher de pastor tem que ser, pelo menos, presidente de alguma sociedade feminina, pois isto “... a tornará mais feliz!”, era o que para ela diziam.
Ela refugiou-se no trabalho com crianças.
Ele, que sempre foi mais ele-pastor do que ele-mesmo, pois ser pastor era algo a que ele apegou-se mais do que ser ele próprio em primeiro lugar, perdeu-se de si mesmo diante dos olhos dela.
Ele deixou-se ser consumido pela instituição, que é pesadíssima e opera de maneira diametralmente oposta à simplicidade da proposta do Evangelho.
Ela, para minimizar tensões no lar, ouvia calada no café da manhã, no almoço, no jantar e em todas as horas do dia as lutas do pastorado dele, que giravam quase sempre em torno da burocracia da denominação, litígios no meio da comunidade e tribunais eclesiásticos, enfim, até a alma dela fadigar.
Ela adorava quando o dia terminava, pois ficava a sós com Deus buscando um pouco de alívio.
Ela chorava, pois via tudo desmoronar.
Ele foi adoecendo da doença chamada Religião sob os olhos dela e ficando uma pessoa cada vez mais agressiva.
Ela percebeu. Advertiu-o sobre o cultivar do amor entre eles. Ele não ouvia mais. Estava absorvido por tudo que dizia respeito à Santa Madre Igreja Protestante.
Ele tornou-se por dentro seco e frio como a Constituição da denominação à que servia, e servia como quem serve a um ídolo.
Ele, cujo Nome Próprio havia se tornado cada vez mais em Sr. Pastor-Ordenado-da-Igreja-Tal, não tinha paz em um segundo de sua vida.
Ela sempre questionou o que via e ouvia, e, calada e em oração, conferia coisa com coisa no coração.
Ela foi tornando-se cada vez mais convicta de que havia algo errado, pois não havia o Amor em nenhum lugar na “igreja” da qual ele era pastor, modo simples de aferição das coisas dado pelo Mestre, Amor, que é a marca da comunidade dos discípulos de Jesus.
Ela viu que tudo aquilo era antítese do Evangelho de Jesus e disse para si mesma observando, um certo dia, o ajuntamento de pessoas que apenas digladiavam-se o tempo todo no dia a dia da vida comunitária, e causavam danos umas às outras:
“Ou eu pago o preço alto e faço a ruptura com tudo isto aqui, e mantenho minha lucidez, ou me torno mais uma nessa linha de produção de gente adoecida e diluída na personalidade.”
Ele adoecia cada vez mais e era cada vez mais agressivo com ela. Ela passou a temer a companhia dele.
Ela havia cansado de lutar sozinha para manter acesa a última fagulha de sentimento que ainda existia.
Ele, adoecido, humilhava-a.
Ela estava traumatizada e sua alma em ruínas.
Tudo acabou.
Ambos seguem seus caminhos sozinhos.
Ela recupera devagar a alegria por ter sido encontrada pelo Caminho, pela Verdade e pela Vida. Tem o Evangelho, somente, como lâmpada para os pés e luz para o seu caminho.
Ela quase não tem notícias dele.
Ele, ouvi falar, estava novamente falando de um púlpito para algum ajuntamento de gente, pela denominação que lhe dá Nome e Sobrenome.

extraído de: http://www.genizahvirtual.com/2010/11/confissoes-de-uma-ex-esposa-de-pastor.html

domingo, 14 de novembro de 2010

PROTEGENDO MEUS TESOUROS (2 REIS 20.12-19)

      A era monárquica em Israel e Judá foi marcada de grandes altos e baixos na história do povo de Deus. Quando os reis observavam os preceitos divinos, a nação inteira ganhava com isso. Porém, quando os reis desobedeciam, a nação inteira sofria. Embora todos os reis estivessem debaixo da instrução profética, nem todos observavam o que Deus sancionava pela boca dos seus profetas. Hoje a história se repete. Vivemos uma grande corrida pela bênção de Deus, e ao passo de que cremos que Deus não nos toma o que nos dá, penso eu que nós é quem não guardamos nossos tesouros, não colocamos guardas em nossas vidas e perdemos coisas valiosas devido à portas que abrimos para os assaltantes espirituais.
      A ênfase hoje é ser abençoado por Deus de diversas formas, mas não vigiar e guardar as coisas mais valiosas que Deus nos deu.
      O texto proposto para essa meditação, nos traz a história de um dos melhores reis que Judá já teve. Um homem temente a Deus, estrategista, inteligente, sábio, que trouxe 29 anos de prosperidade para Judá nos tempos do seu reinado. O Rei Ezequias.
      Mas como todo mortal, certa vez esse homem foi acometido pelo sentimento de soberba, e foi atingido por uma doença incurável. Ao constatar que suas riquezas de nada adiantariam, e que seu dinheiro não compraria sua cura, esse homem ora a Deus e se humilha clamando por misericórdia.
      Deus se agrada da oração desse homem e lhe concede mais quinze anos de vida, e o cura de sua enfermidade.
      Passados alguns anos, esse homem comete um dos piores erros que qualquer rei poderia cometer nos tempos monárquicos em Israel e Judá: abre as portas de sua casa e mostra todos os seus tesouros a Merodaque-Baladã, um babilônico.
      Todos nós sabemos que mais tarde, os babilônicos é quem invadiram Jerusalém levando tudo o que era mais valioso. Ezequias mostrou toda a riqueza para um povo inimigo. Ezequias derribou tudo o que havia conquistado ao abrir as portas de Jerusalém aos babilônicos. Ele não soube proteger seus tesouros mais valiosos.
      Como conseqüência desse gravíssimo erro, Isaías profetiza que esse mesmo povo levaria tudo o que era mais valioso de Jerusalém para a Babilônia.
      Precisamos proteger nossos tesouros. E não deixar que sejam roubados. Ezequias não soube guardar sua própria casa, seu próprio palácio. Essa maravilhosa lição nos ensina que nós não podemos cometer os erros de Ezequias. Quais foram os erros de Ezequias, o que alavancou uma estratégia de invasão que durou décadas e que nós não devemos cometer?
      1) NÃO FAÇA ALIANÇA COM O SALTEADOR (v. 12)
      Meus queridos, notem que a nação que Ezequias buscou amizade foi a nação que amanhã invadiu, saqueou Jerusalém. Ezequias ao ser curado por Deus, aceitou a visita de Merodaque-Baladã, o rei da Babilônia.
      Com certeza a comitiva que examinou os tesouros de Ezequias ficou vislumbrada com tanta riqueza e tantos detalhes na casa do rei, isto é no palácio de Jerusalém e com certeza no templo.
      Nós não podemos fazer aliança com o salteador. Ele veio para roubar, matar e destruir. Ele veio roubar nossas riquezas, nossos sonhos e as promessas que recebemos do Senhor. Não faça aliança com Merodaque-Baladã. Não faça aliança com as trevas. Não se curve, meu amado, não ceda a pressões, não se contamine.
      2) NÃO ABRA AS PORTAS DA SUA VIDA PARA O SALTEADOR (v. 13, 15)
      Meus irmãos, o Rei de Judá abriu os portões de Jerusalém, e deixou que a comitiva de Merodaque-Baladã entrasse e perscrutasse todos os tesouros da casa real. O segundo erro de Ezequias foi abrir as portas da cidade para os inimigos salteadores.
      A partir daí, meus amados, tudo o que era aprazível aos olhos dos babilônicos foi catalogado. Os tesouros da casa real, do templo e tudo o que tivesse valor. Meus amados, cinco gerações de reis depois, precisamente no reinado do rei Jeoaquim, em seu terceiro ano de reinado, a profecia de Isaías (v. 17,18) se cumpre conforme capítulo 24.13 e conforme Daniel capítulo 1. Provavelmente Merodaque-Baladã levou todo o inventário que foi levantado da casa real, para a Babilônia e durante cinco gerações de reis, a estratégia de invasão foi elaborada.
      Quando se abre as portas para o salteador, nossa vida é saqueada. Nossa família, nossos sonhos, nossos relacionamentos, enfim, os nossos tesouros são levados. Não abra as portas da sua casa, ou da sua vida para o salteador.
      3) NÃO SE ACOMODE QUANTO À AMEAÇÃ DO SALTEADOR (v.19)
      Irmãos, o comodismo gerado pela frieza e pelo egoísmo do rei de Judá é impressionante. O profeta Isaías adverte que tudo o que era valioso em Jerusalém seria levado. Mas não era apenas ouro e prata. Era também a família do rei. Isaías prediz que os filhos de Ezequias seriam castrados e levados para servirem de eunucos na babilônia pelo resto de seus dias (v.18).
      Mesmo sendo apontado o erro do rei, ele não se retrata. Mesmo sendo informado das conseqüências nas gerações futuras, o rei não se importa. Estava vivendo uma vida confortável em seus dias. Ao receber as predições do profeta Isaías ele se tranqüiliza, dizendo: “ufa! Ainda bem que isso não vai acontecer no meu reinado”, “ainda bem que quando isso acontecer eu não estarei mais aqui, serão meus descendentes que enfrentarão os babilônicos”. O comodismo traz essa frieza e esse egoísmo.
      Não se acomode meu amado, vença o comodismo, deixe um forte legado. Ajude a construir os heróis da próxima geração. Eu e você não estaremos aqui, mas nossos filhos e netos sim. Não deixe que a próxima geração seja saqueada. Lute, fortaleça sua vida, seus sonhos, seus projetos, e deixe um legado vitorioso à próxima geração. Talvez você pense que a bomba não vai estourar na sua mão, mas talvez estourará nas mãos de seus descendentes. Lute, mude de vida, construa, e seja responsável por uma geração fortalecida e comprometida com Deus.
      Meus amados, proteja seus tesouros. O que é mais valioso para você hoje? Você tem protegido o que Deus te deu? Então não faça alianças com o salteador. Não abra as portas para o salteador, e não se conforme com as ameaças do salteador. Salve o tesouro da sua família, seu relacionamento com Deus, com seu Irmão, suas finanças, sua saúde, SUA ALMA. Proteja seu maior tesouro, em nome de Jesus, e não acredite em Merodaque-Baladã. Seja mais que vencedor em Cristo Jesus, em nome de Jesus, amém.
      Reverendo Adeir Goulart da Cruz.