domingo, 7 de julho de 2013

TRÊS DESCUIDOS FATAIS (2 CRÔNICAS 26.1-23)


O que determina se somos fracassados ou mais que vencedores? Com certeza não são nossas conquistas pessoais, nossas façanhas, nossos empreendimentos bem sucedidos, enfim nosso bem-estar pessoal aqui nessa terra, e sim nosso coração depositado aos pés do Senhor, nossa submissão a Ele e sobretudo atitude de obediência.
Judá enfrentava nos tempos do rei Uzias um período de tensão devido as constantes invasões, e as constantes transições monárquicas prejudicavam a consolidação do reino. Após a morte de Amazias, Uzias, seu filho ocupa o trono em seu lugar e reina num período próspero de 52 anos em Jerusalém.
As façanhas e as invenções de Uzias trouxeram 52 anos de paz, segurança e prosperidade à nação. Edificou a Elate (rota marítima) de Salomão e Josafá; Derrotou os filisteus ao quebrar seus muros (Gate); Edificou cidades no território de Asdode e entre os Filisteus; Venceu os Arábios; Ficou famoso pelas suas realizações ao ponto de receber presentes; Edificou torres em Jerusalém, e as fortificou; Edificou torres no deserto; Cavou cisternas; Fortaleceu a agricultura e a pecuária; Fortaleceu o exército construindo novas armas e máquinas a frente de seu tempo;  Enfim, foi um ótimo administrador e estrategista. Porém cometeu três falhas fatais em seu governo, que alavancaram seu fracasso e sua morte.
Uzias descuidou-se da vida espiritual da nação. Ele permitia que o povo queimasse incenso a outros deuses e não removeu o paganismo religioso em Judá.  (2 Reis 15.4) Foi fraco no que tange a vida espiritual da nação. Quando nos esquecemos o principal estamos fadados ao fracasso, inevitavelmente, se não mudarmos. O principal é estarmos prostrados aos pés do Senhor. O fracasso de Uzias se deu quando esse se descuida da vida espiritual da nação, embora não se esquecesse de outras áreas, porém, a principal não pode ser menosprezada. Quais os erros fatais que não podemos cometer como servos de Deus?
          1)  ORGULHO (CORAÇÃO EXALTADO) – (16). Em momento algum encontramos Uzias cultuando a Deus como forma de gratidão por suas conquistas. Mas devido a suas façanhas se tornou mui forte e poderoso e muito orgulhoso, e começou a pecar contra o Senhor. Não podemos nos orgulhar nem do que somos nem do que temos. Pois se conquistamos algo devemos atribuí-lo ao Senhor e não a nós mesmos.
 2) FAZER O QUE NÃO COMPETE A NÓS (USURPAÇÃO) – (16-18). Devido ao seu coração exaltado e tomado pelo orgulho, Uzias se esqueceu de que não lhe competia administrar as coisas sagradas do santuário, e sim aos sacerdotes, da linhagem de Arão. Isso implica que devemos respeitar nossos limites e não tocar nas coisas sagradas indevidamente, com mãos sujas e principalmente fazer algo que o Senhor não nos ordenou. Uzias achou que poderia ocupar esse ofício já que ele se dava bem em todas as coisas até aí. Ele desprezou a liderança espiritual da nação, sendo que deveria baixar decretos para purificar a nação da idolatria e não o fez.
 3) NÃO ACEITAR A REPREENSÃO (REBELDIA) – (19). Uzias teve a chance naquele momento de se arrepender e pedir perdão, o que não fez, preferindo arcar com os prejuízos de sua rebeldia. Ele se indignou, brigou, relutou contra a repreensão dos sacerdotes, tentando persuadi-los a deixá-lo queimar incenso no santuário, provavelmente afirmando que quem mandava ali era ele, ele era o rei e ele tinha autoridade. De fato como diz as Escrituras, Deus resiste aos soberbos, mas da graça aos humildes. Mas penso que os soberbos em sua rebeldia e quem estão mais resistindo a Deus e Deus por sua vez se opõe a eles. Uzias foi cortado do trono ainda jovem. Poderia ter reinado ainda mais. Mas escolheu o caminho da rebeldia e se tornou leproso, dando o trono para Jotão, seu filho. A morte de uzias chega a causar intensa preocupação aos moradores de Judá nos tempos do Profeta Isaías (Isaías 6.) Mas Deus é quem estava governando com controle absoluto e não o rei Uzias.
Nossas conquistas pessoais não são necessariamente prova de uma vida aprovada por Deus. Podemos realizar muitas façanhas como o fez o rei Uzias mas se o coração estiver afastado do altar do Senhor, e se formos tomados de orgulho, tudo pode vir a desmoronar, e nossa lepra espiritual pode ser exposta. Que em nome de Jesus possamos sempre colocar O Senhor em primeiro lugar em nossas vidas e assim termos uma vida bem sucedida, longa e dentro dos propósitos do Altissimo.


Reverendo Adeir Goulart da Cruz

sexta-feira, 7 de junho de 2013

APRENDENDO NA ESCOLA DO DESERTO (ÊXODO 33.1-23)


A vida cristã é uma caminhada difícil que muito se assemelha ao deserto. O deserto, na verdade, é algo necessário, inevitável porém, transitório. É no deserto que somos acometidos pelo calor, mais Deus envia sua nuvem; no deserto somos envolvidos pelo frio e pela escuridão, mais a coluna de fogo nos aquece e nos ilumina; no deserto sentimos fome e sede, mais recebemos o maná de Deus que sacia a nossa fome e a água da rocha que supre a nossa sede; no deserto estamos cercados de cobras e escorpiões, mais a mão do Senhor nos ampara e nos preserva de todo mal. O deserto é indispensável para o tratamento do nosso caráter cristão. No deserto aprendemos a andar com Deus e a confiar nele. Entre o Egito (mundo) e Canaã (Céu), temos de  atravessar o deserto (lutas, tentações e provações), o deserto é um local de tratamento de caráter. O povo de Deus venceu os egípcios. Saiu da escuridão, da opressão, da morte iminente. O desafio agora era outro: o deserto.
Moisés é usado por Deus que com forte braço libertou o seu povo. A caminhada não seria fácil, porém Deus estava presente em cada centímetro dessa caminhada. No deserto que atravessamos, Deus está conosco.  Moisés aprendeu lições valiosas na sua caminhada com o povo de Israel no deserto. A ligação que Moisés tinha com Deus e a forma com que Deus tratava com Moisés é algo impressionante. Moisés buscou o Senhor com sinceridade, paixão e entrega total. Ele ansiava por Deus. 
Precisamos buscar a presença de Deus nesse deserto. Aprender com Deus como Moisés aprendeu. O deserto é uma escola onde nos ensina:
         1) Intimidade com Deus (v. 9-11): Moisés tinha uma comunhão, intimidade, enfim, uma forte ligação com Deus. Deus também tinha intimidade com Moisés ao ponto de tratá-lo com um amigo. Salmos 25.14 nos diz que a intimidade do Senhor é para com os que o temem,  e a estes Deus os fará experimentar a sua aliança.
Sem intimidade com Deus, não suportaremos os desertos da vida. Em todas as tendas de Israel, Moisés não encontrou amigos como seu Deus. Seja íntimo de Deus. Converse com Ele, admita suas fraquezas, desabafe, chore, busque seus conselhos, Ele é o amigo fiel.
        2) Dependência de Deus (v. 12- 16): Moisés tinha convicção de que não poderia seguir viagem ou tomar qualquer outra decisão importante como líder se Deus não estivesse com ele, isto é, aprovando suas decisões. Em João 15.5, Jesus, a videira verdadeira, traz um princípio que se aplica não somente à frutificação dos servos, mas às nossas realizações e qualquer decisão que formos tomar, “sem mim, nada podeis fazer”.
Moisés entendeu isso e sabia que não poderia arredar o pé daquele acampamento sem ter a certeza de que Deus era com ele. Dependa de Deus meu amado, não faça nada sem ele não aprovar.
         3) Anseio pela glória de Deus (v. 17-23): Moisés tinha intimidade com Deus, aprendeu a depender de Deus, mas o maior sonho dele era contemplar a glória de Deus, ver a Deus face à face. Porem, Deus na sua infinita misericórdia permite que Moisés o veja “pelas costas”, isto é, por traz da fenda de uma rocha, quando resplendor e o brilho da presença do Senhor se dissipavam. Creio que nesse plano terrestre e nessa natureza corrupta, não suportaríamos a glória de Deus. Mas na nova Jerusalém, veremos a Deus face a face.Eu estava meditando sobre isso e comecei a clamar: “Senhor, mostra-me a tua glória!” nem que seja pelas costas.
        O anseio pela presença de Deus e o desejo de contemplar a sua glória, deve ser o alvo de todo cristão. Aprenda na escola do deserto que Deus está contigo. O deserto é um local de aprendizagem e não um local permanente. A duração desse curso intensivo depende de cada um!    
                                                                                                                           
  Reverendo Adeir Goulart da Cruz