sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

       
EVIDÊNCIAS DE ALGUÉM QUE AINDA NÃO CONHECE A JESUS (LUCAS 22.39-65) 


 Vivemos na era da informação. Temos acesso a todas as ferramentas da informação. Livros, revistas, jornais, televisão, rádio, internet, outdoor, entre outras. Isso nos possibilita termos informações de praticamente todos os assuntos à nossa volta. Porém em certos aspectos, como no cristianismo, acúmulo de informações não significa conhecimento propriamente dito. Eu vou explicar. Muitas pessoas que se dizem cristãs, frequentadoras de igrejas ou não, têm todas as informações necessárias sobre Jesus Cristo, O Filho de Deus e nosso Salvador, mas não o conhecem de fato.
   Frequentam igrejas, algumas são essencialmente religiosas, e apresentam um estereótipo de piedade, e vou mais além, algumas até são realmente piedosas, porém não conhecem Jesus na sua essência, de experimentar, de seguir, de viver. Jó após sofrer terríveis calamidades dessa vida algoz, chega a conclusão que todas as informações a respeito de Deus não passava de mera teoria, apesar de ser um homem íntegro, temente a Deus e que se desviava do mal. Ele fala sobre o conhecimento de Deus no capítulo 42.1-6 e no versículo 5 ele confessa que saiu da teoria pois só conhecia a Deus de ouvir falar mas agora seus olhos o contemplavam, pois ele provou o poder de Deus na sua vida. Jó se submete ao ensino do Senhor e passa a conhecê-lo.
  Na última semana de Jesus em Jerusalém, um povo que tinha todas as informações a respeito de Jesus, o Messias, mas não o conhecia, o aclamou como rei (Lucas 19.28-40), isso, no domingo. Porém, no fim dessa semana, esse mesmo povo reunido numa espécie de júri popular, respondeu a pergunta de Pilatos sobre qual seria o destino de Jesus dizendo: "Crucifica!" (Lucas 23.13-25). O mesmo povo que o aclamou pediu também sua condenação.
  Percebemos que acúmulo de informações não significa necessariamente conhecimento, assim como inteligência nem sempre redunda em sabedoria. Mas eu queria que você atentasse agora para um grupo de seguidores de Jesus (seus discípulos), que também evidenciaram em suas atitudes de uma forma clara e perceptível não conhecerem de fato e de verdade quem é Jesus.
   Pouco antes de ser capturado no Getsêmani pela guarda romana, Jesus se retira para esse local com o intuito de orar, provavelmente se preparando psicologicamente, emocionalmente, fisicamente, e espiritualmente para o que estava por acontecer. A partir de então, detectamos algumas atitudes que evidenciam que não somente os discípulos mas muitos hoje também, afirmam conhecer a Jesus mas não o conhecem. Vejamos quais são essas atitudes:
  1) QUEM NÃO CONHECE A JESUS, O ABANDONA EM TEMPOS DE ANGÚSTIA (LC. 22.39-46)
   Notem meus queridos, que lá no Getsêmani, os discípulos estavam entristecidos, e dormiam de tristeza. Pode ser que foram acometidos por uma tristeza indizível, o que poderíamos até inferir que estavam depressivos naquele momento, buscando refúgio no sono. Mas se eles sabiam que as notícias não eram tão agradáveis pois o mestre os advertiu, deveriam ter olhado para o que o próprio Jesus estava por enfrentar. Mas eles o deixaram sozinho numa hora de angústia. Jesus sabia que dali a poucas horas a guarda romana o levaria algemado para a condenação, e ele bem conhecia o tipo de morte que enfrentaria. Jesus sentiu falta da companhia de seus amigos. Eles o deixaram. Foram tomados de uma terrível depressão, que os levou a dormir (Lc. 22.45), ao invés de fazerem companhia para Jesus em oração.
   Aqueles que conhecem a Jesus de experimentar, e não somente de ouvir, não o abandonam jamais, porém vão até o fim. Jesus mesmo já sabia que isso ia acontecer. Mateus 8.20: "Respondeu-lhe Jesus: as raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça." O Apóstolo Paulo também se sentiu abandonado pelos seus amigos (2 Timóteo 4.16). Quem realmente conhece a Jesus persevera até o fim, e não o abandonam. 
    Muitos afirmam conhecê-lo, mas quando estão cercados por muitas circunstâncias difíceis, o desejo é, na verdade de salvar sua própria pele, como aconteceu com os discípulos após a prisão de Jesus. Quem quer seguir a Jesus sem aprender com ele, mais cedo ou mais tarde irá abandoná-lo. Não abandone a Jesus, meu querido. Fique perto dele, e ouça a sua voz: "orai para que não entreis em tentação." (v. 40).
    2) QUEM NÃO CONHECE A JESUS SE PRECIPITA EM SUAS ATITUDES (LC. 22.47-53)
    Notem que nesse bloco de versículos, Jesus estava já sendo capturado, e a partir de então ele seria ainda mais humilhado pelos homens e posteriormente condenado. Jesus alertava seus discípulos e no verso 47 ele falava ainda com eles quando foram cercados pela guarda romana. No meio desse alvoroço Pedro sacou de sua espada (v.50; João 18.10) e na tentativa de iniciar talvez um grupo de resistência à ditadura romana, cortou a orelha de um soldado chamado Malco (v. 50; João 18.10).
    Sem sombra de dúvidas foi uma atitude muito precipitada, pois não era o plano de Jesus causar uma rebelião, nem tampouco resistir a essa prisão, uma vez que ele mesmo afirmou que se quisesse receberia o livramento de doze legiões de anjos, bastava ele clamar ao Pai (Mateus 26.53 e 54). Isso prova meus queridos que muitos que querem seguir a Jesus sem conhecê-lo realmente vivem uma vida regada de atitudes precipitadas, muitas vezes impulsionados pela euforia do momento, talvez pelo desespero, ou mesmo na tentativa de ajudar.
    Quem conhece a Jesus, não somente experimenta sua vontade mas também a concretização dos planos de Deus na sua vida, e não tomará nenhuma atitude precipitada, mas aguardará as diretrizes do Mestre. Jesus frustra os desígnios de todos os que queriam se tornar subversivos e tomar o reino pelo intermédio de espadas e derramamento de sangue. Jesus ensina seus discípulos que seu reino é autenticado pelo seu próprio sangue derramado na cruz do calvário. Quando conhecemos Jesus de verdade experimentamos sua vontade e não tomamos atitudes precipitadas.
    3) QUEM NÃO CONHECE A JESUS O NEGA EM MOMENTOS DE PRESSÃO (LC. 22.54-62)
   Parece ser essa uma atitude alarmante, mas infelizmente é a atitude mais comum que ladrilham a caminhada de muitos cristãos. Eu e você conhecemos cristãos nominais, talvez até com uma forte empolgação a seguir a Jesus, mas quando o obstáculos surgem, infelizmente negam a Jesus para salvarem sua própria pele. Também identificamos facilmente cristãos nominais que estão atrás de Jesus apenas interessado nas bênçãos que pode oferecer, mas sem atentar para a linda, gloriosa, brilhante, mas pedregosa carreira cristã. 
    E quando são colocadas num labirinto sem saída, a única forma que encontram para escaparem das retaliações da vida, é negarem a Jesus. Os discípulos juntamente com Pedro negaram a Jesus. Digo que todos o negaram porque ninguém ficou perto. Todos se espalharam com medo de serem também condenados. Mas Pedro evidencia essa negação ao declarar três vezes que não conhecia a Jesus. Na verdade ele realmente não o conhecia no sentido de entender os planos proféticos de Deus, e idealizar um Jesus que nunca existiu. O Jesus revolucionário (v. 49). Nós negamos a Jesus cada vez que cedemos às pressões e isso mostra um desconhecimento relacional, isto é vivemos um cristianismo de teoria, e não de prática. 
    Após ser restaurado por Jesus (João 21.15-19), logo após a ressurreição, Pedro se tornou um dos mais proeminentes apóstolos de Cristo Jesus, a ponto de morrer também crucificado de cabeça para baixo, como conta a tradição, assumindo sua identidade, revelando agora uma nova visão de quem é o Filho de Deus. 
   Cada vez que pecamos contra Deus agimos como se não conhecêssemos a Jesus. Cada vez que demonstramos que não conhecemos a Jesus, nós o negamos em muitos episódios de nossa vida. Quem conhece a Jesus, assume não somente sua identidade como cristão, mas também o ônus de todas as desventuras que nos sobrevém muitas vezes apenas por servirmos ao Senhor.
    4) QUEM NÃO CONHECE A JESUS ZOMBA DE SUA PESSOA E OBRA (LC. 22.63-65).
  Poderiamos estabelecer um perfil psicológico, e comportamental de muitos personagens inseridos no enredo da crucificação. Judas traiu a Jesus, os demais discípulos o deixaram sozinho, Pedro se precipitou e o negou, os soldados escarneceram dele, etc.
    Esse escárnio se evidencia, nas atitudes de vendar os olhos de Jesus, e mandar que ele descubra quem o espancou. Estavam "brincando" com a onisciência de Jesus. Eles bem tinham ouvido que Jesus era o Messias, o Mestre, O Filho de Deus, O Rei dos reis, O Senhor dos Senhores e Profeta de Deus. Mas nenhuma dessas informações os levaram a conhecerem a Jesus. Continuaram de corações duros, brincaram a valer com coisa séria.
    Percebo hoje muitos cristãos nominais zombando de Jesus, brincando com coisa séria. O próprio Pedro, se envolveu nas zombarias, uma vez que se infiltrou na roda dos escarnecedores que estavam aguardando o desfecho dessa história (v. 54-60). Na realidade Pedro não deveria estar entre eles. Há muitos cristãos nominais hoje assentado na roda dos escarnecedores participando de brincadeiras, piadas e ofensas às coisas de Deus, brincam com a Palavra, contam até anedotas irônicas que afrontam os atributos de Deus. 
   Os soldados assim o fizeram porque não conheciam a Jesus a pesar de terem todas as informações a respeito dele. Mas preferiram a escura e escorregadia estrada da zombaria. As Escrituras nos advertem quanto à zombaria contra Deus: "Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará." (Gálatas 6.7). Quem zomba de Jesus não o conhece.
   Concluindo, quero salientar mais uma vez, que acúmulo de informações não significa necessariamente conhecimento. Conhecimento para mim é aplicação do que aprendemos. Não podemos acumular informações a respeito de Jesus e vivermos uma vida medíocre. Isso não é conhecer a Jesus. Conhecer é experimentar, viver, servir, se entregar por inteiro, e provar do cumprimento da vontade do Senhor que é boa, perfeita e agradável. "Corramos e prossigamos em conhecer o Senhor". (Oséias 6.3). Deus te abençoe, em nome de Jesus. 

Reverendo Adeir Goulart da Cruz.

domingo, 14 de julho de 2013

A TRIADE DA GRAÇA – II TIMÓTEO 1.7


     Em todos os seguimentos de nossas vidas, necessitamos do auxílio do Alto. Ninguém é autônomo em sua própria existência. Somos dependentes de Deus até mesmo para respirarmos. E quando nos faltam forças, e nossos pés começam a resvalar, Deus Onipotente vem em nosso socorro.
      O apóstolo Paulo em sua segunda carta escreve ao seu jovem e amigo pastor na cidade de Éfeso, Timóteo na intenção de auxiliá-lo no ministério tendo em vista que o tempo da morte de Paulo já se aproximava como ele mesmo sentia. Os desafios eram muitos, e mesmo aprisionado, Paulo encorajava seu amigo a não desistir e não se acovardar diante das perseguições e dificuldades que surgiriam em sua vida como pastor nessa cidade extremamente pagã.
   Creio eu que os desafios enfrentados por Timóteo em Éfeso eram não somente no ministério, mas em todas as áreas da carreira humana, e Timóteo deveria enfrentá-los como hoje nós também o devemos. Porém sem o revestimento da graça de Deus, não poderemos vencer nenhum desafio, seja ele espiritual, ministerial ou material. Para isso é importante destacarmos que não devemos recuar diante dos problemas. Deus não nos deu espírito de covardia. É evidente que muitos hoje se acovardam seja em face as perseguições ou em face ao desânimo. Essa palavra encorajadora vem de encontro às necessidades pastorais de hoje, e eu como pastor as possuo de forma acentuada, mas também à todo cristão que não pode se acovardar mediante os desafios diversos.
      Deus reveste o crente de uma graça insondável que se divide em vários braços. E o Pastor Timóteo foi alvo dessa graça maravilhosa, o que lhe proporcionou êxito em sua  jornada. Hoje nós também devemos nos despir de toda covardia, medo, inércia ou retrocesso, e nos revestirmos da graça maravilhosa de Deus que é aplicada segundo o texto que lemos de forma tríplice:
     1) PODER – Capacitação do alto. Esse poder com toda certeza não é o poder do braço humano, mas o poder que vem de Deus. Deus quer nos revestir de poder e autoridade, aos ministros para suportarem o jugo do ministério, à igreja para resistir às provações. Com certeza, aqueles que se acovardam perdem suas forças. Deus nos conclama a nos revestirmos do seu Poder e da sua Força (Efésios 6.10). Revista-se do poder do Onipotente, não se acovarde. Enfrente seus desafios de frente, com coragem e creia no poder de Deus.
     2) AMOR – O amor dá equilíbrio ao poder. Toda autoridade exercida sem piedade, sem amor, sem humildade se torna tirania. O que Paulo apresentava a Timóteo era que o amor é o vínculo da perfeição (Colossenses 3.14). Sem amor, fracassamos em nossa missão (1 Coríntios 13), mas Deus deseja nos revestir desse amor que se torna a rota para uma vida perfeita e aceitável aos olhos de Deus. É o amor a Deus e às pessoas que contrabalanceia nosso orgulho. Quem se acovarda, não sente amor, mas sim, medo. Paulo recomendava a Timóteo que exercesse seu ministério não com covardia mas com poder e amor e assim ele seria bem sucedido na igreja que pastoreava. Isso implica, que poder e amor não podem ser desvinculados um do outro. O amor de Deus precisa estar presente em todas as nuances de nossa existência.
     3) MODERAÇÃO – A moderação nos dá idéia de equilíbrio, sobriedade, saúde mental, sabedoria na condução de algo. Paulo dizia a Timóteo: “Meu amigo e irmão, seja equilibrado em suas decisões, em seu comportamento, em seu falar.” Que todos o conheçam como um crente moderado (Filipenses 4.5). Precisamos buscar do alto o equilibrio seja no ministério, ou seja no dia a dia. Poder sem amor e sem moderação se torna ditadura, e talvez a pior de todas. A ditadura espiritual. Ela é refletida de forma muito negativa, quando somos dominados pela falta de amor e pela arrogância e falta de equilíbrio como crentes, o que ocasiona a perda do poder de Deus.
     Que Deus afaste de nós toda covardia que muitas vezes norteia e direciona nossas atitudes, mas que possamos ser impactados pelo Poder de Deus, que opera em nós (Efésios 3.20), que o amor de Deus que é a estrada da perfeição possa anular o nosso ego humano, e em nome de Jesus, que sejamos moderados, equilibrados, sóbrios, conscientes de que estamos agindo na direção do Espírito de Deus.

Reverendo Adeir Goulart da Cruz