quinta-feira, 31 de março de 2011

“Santos Ladrões”

      Sei que o titulo parece ser uma grande uma desfaçatez, um equívoco. Mas o título é irônico mesmo. Um ladrão pode ser santo? Eu não quero dizer que é alguém santificado, mas me refiro a alguém que está inserido num ambiente sagrado, lida com coisas sagradas, e rouba algo sagrado. Me refiro a crentes, que segundo a Palavra de Deus são santos (Dt. 14.2). Me refiro a “santos” roubando coisa santa, isto é, algo que é única e exclusivamente de Deus.
      Mas isso é possível? “Roubará o homem à Deus”? É a pergunta que Deus faz ao seu povo em Ml. 3.8. O povo era tão infiel que não se dava conta de que estavam tomando posse do que não era seu. Eles roubavam a Deus e se perguntavam: “Em que te roubamos?” O próprio Deus responde a pergunta: “Nos dízimos e nas ofertas” (Ml. 3.8). Como o homem pode roubar a Deus? Retendo seu dízimo e a oferta que é do Senhor.
      Percebo que crente que rouba o Senhor tem algum problema não financeiro apenas, mas principalmente espiritual. É um ladrão e os ladrões segundo a Palavra não tem parte com Deus.
      Muitos crentes hoje se disfarçam de uma pseudo santidade e se apresentam diante das pessoas em locais públicos mostrando sua piedade, levantando as mãos (as mesmas que roubam), choram, riem, sapateiam (?), caem no chão, oram em voz alta, falam em línguas (?), profetizam (?), são “arrebatadas” (?) depois de tanto êxtase, externando para as pessoas que são os crentes mas consagrados do mundo. Mas são ladrões demagogos, piores do que os políticos que roubam, pois roubam coisas santas. E eu me pergunto: será que Deus aceita essa adoração?
      Penso que uma das formas de se medir a temperatura espiritual da igreja é, de fato o nível de fidelidade nos dízimos e ofertas. Por outro lado não podemos atribuir santidade simplesmente pelo fato de alguém ser dizimista, pois há pessoas que dão por obrigação. Para mim, quem não é dizimista é ladrão e não se converteu inteiramente ao Senhor Jesus.
      Há muitos “santos” dormindo com o devorador, porque roubam de Deus e o devorador roubará o que sobrar, para que não sobre nada.
      Porque existem “santos ladrões” entre nós? 1) não se converteram totalmente; 2) duvidam do poder e da provisão divina; 3) não crêem nas promessas divinas; 4) são avarentos e só pensam em dinheiro; 5) são egoístas e querem que Deus lhes dê atenção total e exclusiva, afinal, são santos; 6) não estão com o coração na obra, pois roubam do próprio Deus; 7) pensam que na igreja há pessoas ricas e que sua contribuição não vai fazer falta; 8) interpretam o texto sem contexto para virar pretexto para roubar de Deus; 9) não conhecem a Bíblia; 10) não amam a Deus completamente.
      Dois resultados podemos esperar dependendo de nossa atitude: Maldição, quando se rouba de Deus (por mais santo e piedoso que você seja - Ml. 3.9) e Bênção sem medida, quando se é fiel a Deus (Ml. 3.10).
      Minha oração hoje, é uma das orações mais perigosas e poderosas que um crente pode fazer: “Deus abençoe o crente fiel e cumpra sobre ele todas as suas promessas decorrentes de sua fidelidade e que o crente fiel seja cada vez mais fiel e abençoado por ti; E não abençoe os ladrões, mas feche as portas para eles, para que se convertam ao Senhor e abandonem a infidelidade. E que na tua igreja, Senhor só existam santos fiéis e não “santos ladrões”. Em nome de Jesus, Amém”.

Reverendo Adeir Goulart da Cruz.



domingo, 27 de março de 2011

A MENSAGEM DA CRUZ (1º CORÍNTIOS 1.18-25)

       O evangelho está se espalhando na medida em que o reino do Messias progride. Igrejas estão sendo plantadas, comunidades se espalham por toda a parte, e ser evangélico hoje traz para uma boa parte das pessoas uma conotação completamente financeira, e centrada na pessoa do homem.
      Na medida em que muitas pessoas são atraídas por uma proposta inovadora, percebemos também um aumento das fábulas, heresias e ensinamentos profanos. Muitas pessoas, embora sejam evangélicas estão longe da cruz de Cristo. Talvez nunca estiveram perto dela.
Na realidade, com o avanço do evangelho da prosperidade, da confissão positiva, de ministrações proféticas, muitos hoje simplesmente odeiam a cruz de Cristo.
       Com toda a certeza, a cruz usada na antiguidade, como uma pena capital estabelecida pelos romanos, era sinal de maldição, humilhação e morte. Porém, para a Igreja Salva e remida em Cristo Jesus, hoje, é sinônimo de benção, glorificação e vida eterna.
      Há muitos líderes religiosos que estão se tornando hoje, inimigos da cruz de Cristo, como se vê em Filipenses 3.17-21. Paulo os chama de inimigos da cruz, porque eles a rejeitam, e vivem suas vidas centradas em si próprios, buscando sua satisfação pessoal.
      Hoje, há muitos inimigos da cruz de Cristo espalhados pelas igrejas afora. Pessoas que usam o evangelho para o bel prazer humano, sem compromisso com a cruz. Não há evangelho sem a cruz; não há benção de Deus sem a cruz, não há salvação sem a cruz. A cruz é na verdade o resumo de tudo o que nós cremos, tudo o que buscamos e a ponte que nos conduz aos aposentos celestiais (João 14.6).
      Paulo ao escrever sua epístola aos crentes em Corinto, precisamente no capítulo 1, ele pretende mostrar que todos aqueles que amam e abraçam a mensagem da cruz, tem suas vidas completamente transformadas por meio do Redentor, Jesus Cristo.
      Na dispensação da graça nos primeiros séculos da igreja primitiva, haviam pessoas de diversos povos que deveriam ouvir essa mensagem. Os judeus pediam sinais do cumprimento profético das Escrituras; os gregos desejavam uma explicação lógica e racional para o evangelho de Cristo Jesus, isto é, sabedoria, e os gentios no meio desse fogo cruzado buscavam uma direção para suas vidas.
      Paulo pregava a esse grupo de pessoas fazendo apologia a um evangelho centrado na cruz, isto é, na morte e na ressurreição de Cristo.
      Por isso, amamos a cruz de Cristo, não como um objeto de adoração que se pendura na parede ou no pescoço, mas como símbolo da nossa redenção, da misericórdia de Deus, da nossa justificação e da nossa ressurreição gloriosa.
      Não devemos odiar a Cruz, nem o que ela significa para nós. Devemos amar a mensagem da cruz porque:
      1) A MENSAGEM DA CRUZ É O PODER DE DEUS, PARA OS SALVOS (1Coríntios 1.18)
      O poder da cruz não é manifesto quando a penduramos numa parede ou no pescoço, mas sim, quando anunciamos a sua mensagem salvífica, pois aquele que foi pendurado nela, nela morreu, mas ressuscitou ao terceiro dia e foi glorificado como o Rei dos Reis ressurreto.
      Essa mensagem é poderosa para livrar o homem de seus pecados;
      Essa mensagem é poderosa para salvar o homem da perdição eterna;
      Essa mensagem é poderosa para restaurar famílias;
      Essa mensagem é poderosa para trazer alegria;
      Essa mensagem é poderosa para trazer paz;
      Essa mensagem é poderosa para nos ressuscitar no último dia;
      Essa mensagem é poderosa para nos dar esperança de que um dia estaremos com o Senhor na eternidade.
      2) A MENSAGEM DA CRUZ É A ÚNICA MENSAGEM QUE PRECISAMOS (1 Coríntios 1.22-24)
      Os gregos pediam sabedoria para entenderem o poder de Deus, e os judeus pediam um sinal para constatarem o poder de Deus. Mas a mensagem que Paulo não abre mão é, ao mesmo tempo a sabedoria de Deus, e o poder de Deus. Paulo entendeu que a mensagem que todo homem precisa, seja qual for sua raça ou etnia, é a mensagem da Cruz (2 Coríntios 2.1-5).
      Existem dois extremos: de um lado muitos hoje pedem somente explicações racionais e querem até mesmo questionar a natureza dos milagres históricos de Jesus e dos milagres hodiernos. Se a razão não explicarem, não crêem.
      Do outro lado existem aqueles que querem sinais sobrenaturais o tempo todo. Usam a cruz como objeto de adoração, invalidam a obra que Jesus já realizou na cruz do Calvário, e se tornam inimigos da cruz de Cristo, odiando-a e usando-a como algo mágico simplesmente para resolver seus problemas particulares. São os inimigos da cruz.
      A mensagem que conheço que transformou minha vida e a vida de muitos que hoje se encontram aqui, é Cristo, crucificado e ressurreto, o resto é entretenimento de bodes, um show, um engodo do inimigo para aprisionar almas num sistema religioso herético. Somente Jesus pode transformar nossas vidas.
      3) A MENSAGEM DA CRUZ NOS DÁ SEGURANÇA AQUI E NO PORVIR (João 3.16)
      Existe uma matéria muito bela e profunda na teologia sistemática, ensinada por Calvino e Louis Berkhof chamada União Mística de Cristo com a Igreja. Isso significa que estamos unidos a Cristo na sua crucificação, na sua morte, na sua ressurreição, na sua ascensão, na sua glorificação e no seu reino eterno. Isso significa que se estamos unidos a ele em toda sua vida, também temos segurança de que ele nos abençoará aqui e na eternidade, já que essa união é total, indissolúvel e eterna.
      O que nos faz crer nessa união que nos traz segurança é a cruz, que foi símbolo de tortura e humilhação para Jesus, mas para nós símbolo de redenção, pois a maldição foi removida.
      A mensagem da Cruz nos dá a certeza de que pertencemos eternamente à Jesus;
      A mensagem da Cruz nos dá a segurança de que estamos salvos;
      A mensagem da Cruz nos dá alegria em Cristo Jesus;
      A Mensagem da Cruz nos dá a certeza de que Jesus olha por nós aqui e na eternidade.
      Não seja mais um inimigo da Cruz de Cristo.
      Viva o evangelho transformador de Cristo, não o evangelho massageador do ego humano.
      Não perverta essa mensagem.
      Não dê crédito à outro evangelho.
      Seja fiel à esta mensagem e ore a Deus para que as novidades e as fábulas heréticas não lhe enganem.
      Amamos a cruz, pois ela nos proporcionou a reconciliação com Deus por intermédio de Jesus.
      Que Deus nos ajude nessa árdua, mas gloriosa tarefa em nome de Jesus, amém.

Reverendo Adeir Goulart da Cruz