terça-feira, 29 de abril de 2014

IMPEDIDOS DE VEREM A JESUS - LUCAS 24.13-35

                
               Alguma vez na sua vida você já perdeu sua fé? Já passou algum momento angustiante na sua trajetória que fez com que você duvidasse, ou se esquecesse da Palavra de Deus? Alguma vez você já se sentiu triste, desanimado, sem motivação alguma, com vontade de voltar à sua antiga vida, e quem sabe deixar de lado o evangelho de Jesus?
                Era exatamente esse o sentimento desses dois discípulos de Jesus, após a crucificação e morte de Jesus. O contexto era preocupante. Jesus acabara de ser morto pelos principais sacerdotes, e pelos romanos, sob a acusação de ser um impostor, um desordeiro, e alguém que iria derribar o templo dos Judeus. Foi acusado de ser inimigo de Roma, entre outras acusações mais.
                Isso culminou na prisão, julgamento, condenação e execução do filho de Deus. Portanto nesse tempo de repressão Judaico-Romana, quaisquer atos ou manifestações cristãs poderiam gerar outras execuções. Todos estavam com medo pois assistiram a crucificação do Salvador. Notamos isso quando Judas se suicida, Pedro nega a Jesus três vezes, e os demais discípulos e amigos íntimos de Jesus se dispersaram. Nessa dispersão após três dias, dois dos discípulos de Jesus totalmente desanimados, com todos os acontecimentos pretendiam deixar Jerusalém e migrar para uma aldeia chamada Emaús, cerca de 60 estádios (12 km de Jerusalém). É nesse contexto que se encontram com o Messias, o Cristo ressurreto, mas não o reconheceram, não conseguiram ver que esse homem misterioso e desconhecido que aparece durante esse percurso, era na verdade o próprio Jesus em carne e osso.
                 Há muitas  pessoas hoje que não conseguem ver a Jesus, o Cristo ressurreto, porque seus olhos estão cegos, ou impedidos de vê-lo em todos os momentos de suas vidas. Por que nós, como aconteceu com esses dois homens, não enxergamos a Jesus? O que nos impede de vê-lo, e de saber que ele está conosco? Que tipos de escamas podem nos cegar?
                1) AS ESCAMAS DO DESESPERO (19-24). Judas se matou porque estava desesperado. Os discípulos se dispersaram por que suas esperanças morreram com Jesus.
                2) AS ESCAMAS DO MEDO (19,20). Pedro negou a Jesus por medo. Os demais discípulos se distanciaram de tudo porque estavam com medo de alguma represália, e de serem capturados como subversivos pela polícia de Roma.
                3) AS ESCAMAS DA DECEPÇÃO (21). Uma grande dúvida paira no ar. "Pensávamos que ele iria redimir a Israel, porém já está morto e até agora nada aconteceu". Esses como muitos outros discípulos estavam decepcionados.
                4) AS ESCAMAS IGNORÂNCIA QUANTO À PALAVRA DE DEUS (25-27). Jesus os chama de Néscios e tardos de coração, pois ignoraram as Escrituras não somente nas palavras que o Próprio Jesus proferiu a respeito de sua morte, mas também quanto as profecias messiânicas que narram a chegada, o sofrimento, a crucificação, a morte, e a ressurreição de Jesus. Se esqueceram, ou ignoraram o que já sabiam.
                Seu desespero, sua desesperança pode te cegar e impedir de ver a Jesus; Seu medo pode fazer você fugir para lugares distantes, onde Deus não te quer. A decepção pode destruir seus sonhos e te tirar dos propósitos de Deus. A ignorância (descaso, esquecimento) da Palavra do Senhor, podem minar sua fé e destruir sua alma. Creia em Jesus, ele está perto de você.       

sábado, 8 de março de 2014

FELIZ MESMO QUANDO OS FUNDAMENTOS DA VIDA SÃO DESTRUÍDOS (Jó 1.13-2.13) e (Salmos 11.3)

     
      É possível sermos felizes em meio a tantas adversidades? O profeta Habacuque em sua oração no capítulo 3.18 afirma que sua alegria não está condicionada às circunstâncias. No entanto, muitos perdem a alegria, a paz, o consolo, a esperança, a fé e se tornam pessoas excessivamente tristes, de mal com a vida, angustiadas e por fim, despedaçadas. Ninguém está livre de adversidades, porém as adversidades não podem sequestrar nossa felicidade. 
Jó foi um homem que muito sofreu, pois viveu um inferno na sua vida. Tudo o que ele poderia chamar de uma vida confortável, estável, caiu como um castelo de cartas. Tinha muitos bens, uma família abençoada, uma saúde de ferro e estava cercado de amigos. Tinha tudo para ser feliz. Até o dia em que a adversidade bate à sua porta e traz consigo os verdugos das tragédias. 
Tudo parecia estar bem, até que desgraça após desgraça, tristeza após tristeza permeiam a vida desse pobre homem. Os fundamentos da vida terrena deste homem foram totalmente destruídos. O que poderia fazer Jó diante de tantas calamidades?
Você é feliz mesmo quando os fundamentos da vida são destruídos? Você é fiel mesmo quando tudo está aparentemente perdido? Jó teve os fundamentos de sua vida, os pilares de sua existência totalmente quebrados com as desgraças que lhe sobrevieram. Contudo sua esperança não estava nesses fundamentos. Podemos ser felizes mesmo tendo os fundamentos de nossa vida abalados. Quero citar quatro desses fundamentos, que mesmo destruídos não podem roubar nossa fé, nem nossa confiança no Senhor:
1º FUNDAMENTO: BENS/FINANÇAS (13-17)
Diz o ditado que notícia ruim chega rápido. Somente num dia Jó recebeu muitas notícias ruins: a) Os Sabeus assaltaram suas terras levando os bois, as jumentas e matando os servos; b) Fogo do céu caiu e queimou as ovelhas e os servos; c) Os Caldeus levaram os camelos e mataram os servos. 
A fé, a vida e a felicidade de Jó não estava em seu conforto financeiro, nem no seu trabalho, nem em sua conta bancária, mas estava no Senhor. Há muitas pessoas que não sabem o que fazer quando os fundamentos econômicos são destruídos. Se desesperam, blasfemam contra Deus, se desviam, e cometem muitas loucuras. A vida de um homem não consiste em seus bens nem em sua riqueza. A acusação de satanás sobre a fidelidade oportunista de Jó era falsa (Cap. 1:8-12), e ele provou isso ao passar pela escassez financeira. Muitos projetam sua felicidade nos seus recursos financeiros, isto é, no dinheiro, pois dizem: Sou rico, os negócios estão dando certo, nossa empresa está lucrando muito, tenho uma vida confortável.
Se o seu fundamento financeiro se extinguir, você conserva sua fé, esperança e alegria no Senhor? Ou você desiste? Talvez eu e você consigamos atravessar as ruínas desse primeiro fundamento. Mas a destruição do próximo fundamento, quem pode suportar?
2º FUNDAMENTO: FAMÍLIA (18-19)
Jó teve a infelicidade de sepultar dez filhos, num só dia. A ordem natural da vida é que os filhos sepultem os pais, e não os pais sepultarem os filhos. Mas por diversas razões que não conseguimos explicar essa ordem nem sempre é seguida. 
Sua felicidade, fé e confiança no Senhor é simplesmente porque você tem uma família bonita, unida, abençoada, um lar harmonioso??? E se a eventualidade, a tragédia, a morte de um ente querido te visitar? Qual seria a sua reação? Jó enfrentou não somente a crise financeira, mas enfrentou a crise familiar, ao ponto de ouvir da própria esposa, mais adiante, uma sugestão de eutanásia. "amaldiçoa a Deus e morre" (2.9)
Além de sepultar dez filhos, Jó ainda teve que conviver com uma esposa desesperançosa, deprimida, angustiada, ferida pelas circunstâncias cruéis da vida. Uma crise familiar. Muitos projetam sua felicidade na sua família, pois dizem: tenho um marido exemplar, uma esposa abençoada, e filhos dignos. Tenho um lar abençoado. Se os fundamentos de seu lar, forem abalados, o que você faria? Quem pode suportar?
3º FUNDAMENTO: SAÚDE (7-8)
Além de suportar a escassez financeira, devido a perda de todos os seus bens, e recursos, Jó também enfrentou a morte de dez filhos de uma só vez, fato que instalou uma crise conjugal entre eles, Jó tem agora o terceiro fundamento de sua vida totalmente abalado. A SAÚDE. Sem entender o por que esse homem agora é acometido de uma enfermidade tal, que lhe privou de muitas coisas, entre elas uma das principais: a dignidade.
Quando vem a doença, principalmente as que são difíceis de se curar, reconhecemos de verdade se nossa esperança está em Deus. Enfrentar falência financeira, luto na família e agora enfermidades, tudo de forma sequencial não é fácil. 
A enfermidade muitas vezes consome recursos que não temos, e na maioria dos casos ela se instala em nossas vidas quando esses recursos são escassos. Muitos hoje projetam sua felicidade em si mesmos, pois dizem: tenho uma saúde de ferro, nunca fui ao médico, me sinto um verdadeiro touro, forte, imponente, e realizado. Mas quando a enfermidade bate a porta: o que fazer? Quando o terceiro fundamento chamado saúde é destruído o que podemos fazer?
4º FUNDAMENTO: RELACIONAMENTOS (11, 12, 13, 15, 18, 20, 22, 25) 
Gente precisa de gente. Somos seres essencialmente relacionais. Precisamos de pessoas. Porém nossos relacionamentos não podem nos trazer felicidade ou realização pessoal. O Quarto fundamento da vida de Jó também foi abalado. Os relacionamentos. Não quero aqui duvidar da sinceridade da amizade de Elifaz, Bildade e Zofar, porque eles ficaram com Jó até o fim de seu sofrimento.
Porém foram duros em suas palavras. Há situações em que devemos ficar calados. Quando nos precipitamos falamos demais, e ferimos as pessoas. esses três amigos de Jó o acusaram diversas vezes de que Jó tivesse transgredido contra Deus e todo seu sofrimento era um castigo.
Isso abalou com certeza o relacionamento, pois no final Deus manda os três se retratarem. Os relacionamentos não garantem felicidade, pois as pessoas nos decepcionam, e nós decepcionamos as pessoas. 
Temos de orar muito para que Deus nos ajude a escolher melhor os verdadeiros amigos, mas até os maiores e melhores amigos nos ferem, ao passo que nós também os ferimos. Há pessoas que projetam sua felicidade nos relacionamentos, pois dizem: estou cercado de amigos, minha casa está sempre cheia, tenho companhia sempre, nunca estou sozinho, mas quando um amigo se comporta como inimigo, o que fazer? Quando o quarto fundamento que são os relacionamentos é destruído o que podemos fazer?
Os verdugos do sofrimento cotidiano nos atingem cruelmente, sem piedade e sem trégua. Os quatro fundamentos da vida de Jó foram destruídos: Finanças, Família, Saúde e Relacionamentos. Porém quero citar um quinto fundamento, que sustentou esse homem de Deus até o fim: Jesus. 
Jó, no ápice do sofrimento, sem dinheiro, sem seus amados filhos, sem saúde, e sem o consolo de seus amigos, responde à pergunta do Salmista Davi no Salmo 11 verso 3: "Ora, destruídos os fundamentos, o que poderá fazer o justo?" da seguinte forma no capítulo 19 verso 25 e 25: "Porque eu sei que o meu redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus".
Ainda que os quatro fundamentos da nossa existência sejam destruídos, tenhamos a certeza, de que Jesus vive, e por fim se levantará sobre a terra. Jó cria na ressurreição de Jesus e na redenção do homem, mesmo antes de Jesus encarnar, pois sua felicidade e esperança estavam Nele.
Concluindo, eu quero apenas recitar uma frase bíblica recitada por Paulo que constitui uma ordem do Senhor, e essa ordem deve ser obedecida em toda e qualquer circunstância: "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez vos digo: Alegrai-vos. (Filipenses 4.4). Deus te abençoe ricamente. 

Reverendo Adeir Goulart da Cruz.